quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A mágica linguagem teatral


"O Teatro existe no instante exato em que esses dois mundos - o dos atores e o do público - se encontram: trata-se de uma sociedade em miniatura, de um microcosmo reunido toda a noite dentro de um mesmo recinto. O papel do teatro é imbuir esse microcosmo de um ardente e passageiro sabor de outro mundo, no qual nosso universo presente esteja integrado e transformado"
Peter Brook

A arte dramática é um objeto semiótico por natureza. O conceito do que entendemos hoje por teatro é originário do verbo grego "theastai" (ver, contemplar, olhar). Tão antiga quanto o homem, a noção de representação está vinculada ao ritual mágico e religioso primitivo.

Tendo em seu alicerce o princípio da interdisciplinalidade, o teatro serve-se tanto da palavra enquanto signo como de outros sistemas semióticos não-verbais. Em sua essência, lida com códigos construídos a partir do gesto e da voz, responsáveis não só pela performance do espetáculo, mas também pela linguagem. Gesto e voz tornam o teatro um texto da cultura.

Para os semioticistas russos da década de 60, a noção de teatro como texto revela, igualmente, sua condição de sistema semiótico, cujos códigos de base (gesto e voz) se reportam a outros códigos como o espaço, o tempo e o movimento. A partir desses códigos se expandem outros sistemas sígnicos tais como o cenário, o movimento cênico do ator, o vestuário, a iluminação e a música entre outros. Graças à organização e combinação dos vários sistemas, legados da experiência individual ou social, é que a audiência recodifica a mensagem desse texto tão antigo da cultura humana.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

E a comunicação médico-paciente...

É fato que muitos médicos são lamentavelmente evasivos ao falar com seus pacientes. Em uma consulta, por exemplo, alguns desses profissionais não exami- nam seus pacientes ou até mesmo nem os olham durante o aten- dimento e logo recomendam um remédio, demonstrando certa falta de preocupação e compromisso com o caso.

Pesquisas em comunicação não-verbal da interação médico-paciente ainda são escassas, em parte por causa do desafio de medir e avaliar comportamentos não-verbais e qualidades pessoais como "sensibilidade". Mesmo assim, pesquisadores sempre acabam descobrindo uma coisa: médicos nem sempre julgam bem as emoções dos pacientes.

Desde 2002, a Association of American Medical Colleges e o Accreditation Council of Graduate Medical Education fizeram da comunicação interpessoal uma das seis habilidades essenciais ensinadas em faculdades de medicina e residências, a fim de transmitir a importância da comunicação entre o médico e o paciente, já que interfere diretamente no desempenho do tratamento médico.

No Brasil, a situação da falta de atenção ao paciente acontece tanto no sistema público de saúde quanto no setor privado. Uma pesquisa realizada em Ribeirão Preto (SP) ouviu 469 pessoas antes e depois de consultas em clínicas, postos de saúde, hospitais públicos e privados. Acredite: entre as instituições particulares, o tempo de consulta oscilou entre 13 a 26 minutos. Enquanto que a variação do tempo de atendimento nos serviços públicos foi maior: de 8 a 52 minutos.

Em um levantamento do Instituto Brasileiro de Relações com o Cliente foram ouvidos 1,8 mil pacientes em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Entre outras perguntas, buscou-se saber o que os incomodava em uma consulta. Resposta: para mais de um terço deles (36,3%), o maior problema seria a desatenção do médico. Em seguida, viriam os atrasos. Indagados se voltariam a se consultar com o mesmo especialista, 52% disseram que sim, mas 48% admitiram que procurariam outro.

Dessa maneira, acredito que estabelecer uma relação médico-paciente é impor- tante tanto para o bem estar do paciente quanto para o desempenho do tratamento médico. A tentativa de buscar um equilíbrio entre uma medicina mais humanista e a técnica aplicada seria uma possibilidade de proporcio- nar um atendimento mais completo e eficaz aos pacientes.

*Fontes
Texto/Pesquisa: Revista Saúde!

Fotos: Web


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Expressões faciais de emoção? A genética explica!


Um estudo conduzido por pesquisadores americanos sugere que as expressões faciais utilizadas para demonstrar emoções são inatas e não aprendidas ao longo da vida. Desse modo, as emoções estão configuradas nos genes e são mais do que fruto de uma aprendizagem cultural.

Os especialistas da Universidade Estadual de San Francisco chegaram à conclusão ao comparar 4.800 fotografias de atletas de judô cegos e com visão normal durante cerimônias de entrega de medalhas nas Olímpiadas de 2004 e nos Jogos Paraolímpicos.

Segundo os pesquisadores, tantos os atletas com deficiência visual quanto os de visão normal exibiram as mesmas expressões faciais ao chegar em primeiro lugar. Expressões faciais bastante similares também foram observadas entre os que perderam as competições.

Fonte Genética

Durante a pesquisa, os rostos dos atletas que ganharam medalhas de ouro e prata foram examinados.

Enquanto os vencedores mostravam frequentemente uma alegria natural com a vitória, os que ficaram em segundo lugar curvavam o lábio inferior para cima ou produziam um "sorriso social", que envolve apenas um movimento da boca indicando mais superficialidade do que espontaneidade.

Segundo o professor Matsumoto, autor da pesquisa, os indivíduos que são cegos de nascença não podem ter aprendido a controlar suas emoções de maneira visual e, portanto, deve haver outro mecanismo. Logo, sugere que algo genético é a fonte das expressões faciais de emoção. Além disso, o estudo demonstrou que a correlação entre as expressões faciais dos indivíduos de visão normal e as dos deficientes foi quase perfeita.

Para o especialista, o "sorriso social" ou a curvatura dos lábios para demonstrar emoções negativas pode ter sido de um mecanismo desenvolvido pelos humanos ao longo da evolução para evitar gritos, ataques corporais e xingamentos. Por esse motivo, os sistemas que regulam nossas emoções tem vestigíos de nossos ancestrais.

A pesquisa foi divulgada na publicação especializada "Journal of Personality and Social Psychology".

*Fonte: Texto (adaptado) - Site Globo.com

domingo, 7 de dezembro de 2008

O equilíbrio entre o corpo e a mente


A vida agitada em que nossa sociedade se configura, mal temos tempo de pensar em nós mesmos, especialmente no nosso corpo. Na verdade, só tomamos conhecimento da sua presença quando um desconforto ou uma dor nos obriga a parar e dar uma atenção especial a ele.
Em contrapartida, algumas pessoas, adeptas do “culto ao corpo”, partem em direção contrária, ao tomar um cuidado exagerado, entregando-se a exercícios repetitivos e extenuantes, que podem trazer mais problemas do que benefícios.
Entretanto, é possível ter um corpo bonito, harmonioso, com músculos tonificados sem que para isso tenhamos que adotar exercícios com práticas cansativas. O segredo está em tomar consciência definitiva do nosso organismo, sabendo como funciona e como tirar partido de situações normais do dia-a-dia para exercitá-lo a toda hora, mesmo quando estamos sentados diante de uma televisão ou de um computador, por exemplo.

Eutonia: uma prática eficiente

Criado pela alemã Gerda Alexander, o método da eutonia corresponde a um trabalho corporal que propõe, justamente, trazer equilíbrio físico e mental ao praticante através da conscientização corporal. A palavra eutonia vem do grego (eu = harmonioso e tonos = tônus, tensão) e refere-se à prática para deixar o corpo harmonioso e tonificado.
Gerda Alexander nasceu em 1908, na Alemanha, mas desenvolveu seu trabalho na Dinamarca. Estudiosa das artes, música e dança, a partir da observação sobre si mesma e das dificuldades de movimento demonstradas por colegas e alunos, passou a investigar os fundamentos neuropsicológicos dos movimentos naturais do ser humano.
A própria Gerda é um exemplo dos resultados do método por ela criado. Era aluna e professora de dança quando, aos 28 anos, desenvolveu uma endocardite, devido a uma febre reumática. Obrigada a guardar repouso, começou, em seu leito, a procurar formas de manter o tônus muscular, com movimentos mínimos. Surgiu então a eutonia, por ela aprimorada ao longo de toda a sua vida. Gerda Alexander não só sobreviveu à doença, como voltou a andar e continuou ensinando e pesquisando a técnica até idade avançada.
Desse modo, ficou claro para Gerda que, se o indivíduo tivesse consciência da sua capacidade de mover-se e deslocar-se, não só iria melhorar a qualidade desse movimento, como também isso iria influir na pessoa como um todo, trazendo-lhe benefícios físicos e mentais. Para isso, é fundamental que tenhamos consciência do corpo, desenvolvendo nossa sensibilidade superficial e profunda, podendo influenciar conscientemente os sistemas, em geral involuntários, que regulam o tônus e o equilíbrio neurovegetativo.
Conforme palavras textuais da própria Gerda Alexander, em seu livro Eutonia – Um Caminho Para a Percepção Corporal, “os psicofisiólogos definem o tônus como ‘a atividade de um músculo em repouso aparente’. Essa definição indica que o músculo está sempre em atividade, mesmo quando isso não é traduzido em movimentos ou gestos. Nesse caso, não se trata da atividade motora, no sentido mais freqüente da palavra, mas sim de uma manifestação da função tônica”.

*Fontes:
Texto (adaptado): Portal Terra - Planeta na web
Fotos: Web

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A linguagem não-verbal das eleições à reitoria da UFPA


Chegou o grande dia. Hoje é acontece a votação para eleger o novo(a) reitor(a) da Universidade Federal do Pará (UFPA). E quais devem ser os critérios para eleger um candidato a reitor?

Para muitos, é analisar as propostas de cada um e comparar quais são as melhores para a comunidade acadêmica. Para outros é assistir os debates e ver quem defende melhor as propostas.

Mas será que a linguagem não-verbal dos candidatos podem ajudar nessa decisão?

Debate dos Candidatos a Reitoria da UFPA no ICS

A política é por excelência uma questão de aparência. Passar uma boa imagem é sinônimo de conquistar o eleitorado. Desse modo, é importante saber como agir e estar a atento nas expressões que são demonstradas durante um debate, por exemplo.

No enteanto, esse quesito não foi de grande preocupação dos candidatos à reitoria da UFPA, durante o debate realizado no dia 26 de novembro, no Instituto de Ciências da Saúde (ICS). Porém foi bastante notável para o público presente.

Cada bloco do debate foi recheado de "caras e bocas" e expressões corporais bastantes significativas, principalmente nos momentos de tensões em que o público se manifestava.

Mas então vamos ao que interessa: perfil das expressões corporais de cada candidato.

Ana Tancredi: durante todo o debate, a candidata sempre gesticulava com as mãos ao falar. Geralmente enfatizava alguma palavra com determinado gesto. Na maioria das vezes, ao terminar seu discurso, sorria, demonstrando simpatia.

Carlos Maneschy: talvez o mais expressivos de todos os candidatos. No início de seu discurso, demonstrou um pouco de nervosismo ao ler sua fala. Gesticulava as mãos principalmente para enfatizar algumas palavras-chaves de seu discurso como: mudanças, resultado, compromisso etc.
Além disso, piscava demais enquanto discursava. Nos intervalos da fala de um candidato para outro, bebia bastante água, demonstrando não estar somente com sede, mas talvez nervoso. Ao longo das discussões, o candidato começa a discursar com um tom mais grave, exaltando o público. Além disso, algumas expressões pareciam ser provocativas a uma das candidatas, como o olhar, risos. Parecia estar seguro de que irá ganhar as eleições.

Regina Feio: em todo o seu discurso, a candidata dirigia sua fala sempre ao público. Algumas poucas vezes aos outros candidatos. O tom de sua fala demonstrava ser bastante político. Gesticulava muito com as mãos também, mas durante as perguntas feitas por outros candidatos, mantinha uma das mãos atrás, em posição de guarda, demonstrando defesa. Além disso, em meio a uma fala e outra, franzia as sobrancelhas.

Ricardo Ishak: durante todo o debate, o candidato aparentou ser o mais contido, tanto em relação ao seu discurso, quanto as manifestações do público. No início, estava com um semblante pensativo, demonstrando estar preocupado. Mas durante seu discurso, demonstrou tranquilidade e seguro de suas palavras. Algumas vezes colocava uma das mãos no bolso.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Cinesiologia: a importância dos movimentos

A Cinesiologia é a ciência que estuda os movimentos humanos. Através dela podemos perceber e compreender muitas coisas que ocorrem na nossa vida, podendo assim torná-la melhor.

Nossos movimentos são possíveis pela ação muscular. É através da contração dos músculos que o ser humano é capaz de realizar façanhas extraordinárias, como saltar 2,45 metros de altura, terminar uma maratona em pouco mais de 2 horas, levantar mais que o próprio peso corporal no halterofilismo, realizar vários giros no ar na ginástica, entre outros.
Acariciar alguém, pintar um quadro, dançar uma valsa, também são exemplos desse magnífico controle que temos sobre os músculos. Ações inconscientes, como controlar o fluxo sanguíneo para nossos órgãos, arrepiar os pêlos ao sentir frio, regular o foco da visão ou simplesmente sorrir são possibilitadas pela ação dos nossos músculos.

Entretanto, esta maravilha que protege órgãos, faz com que possamos nos expressar, dá forma ao corpo. Porém precisa ser exercitada, usada com intensidade razoável, para não sofrer o risco de falência por falta de exercício.
Então, devido ao o extremo avanço tecnológico conseguido pelo Homem, nossas vidas tornaram-se muito mais confortáveis, porém essa tecnologia substituiu o duro trabalho dos nossos músculos.

Quem trocaria sua TV de controle remoto por outra que obriga a pessoa sair de sua confortável poltrona toda vez que quiser trocar de canal?
Só que esta "lei do mínimo esforço" traz inúmeros problemas ao indivíduo.

Devido à insuficiente utilização diária dos músculos do corpo, temos este importantíssimo sistema corporal atrofiando, ou seja, entrando em estado de falência. Quando não são colocados para trabalhar durante muito tempo, enfraquecem tanto que tornam a simples atividade comum de um dia em algo cansativo.
Fazer caminhadas, praticar alongamento ou realizar as próprias tarefas do cotidiano tornam-se difíceis. Por isso, é sempre bom colocar nossos músculos para funcionar e, desse modo, adquirir uma vida mais ativa, para alcançar o bem-estar físico e psicológico.

Movimente-se e seus músculos agradecerão por lembrar deles!

*Fontes:
Texto (adaptado) - Portal Corpo Saudável
Foto - Site 1000 imagens.com

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Programe-se!

  • Começa hoje o I Seminário de Pesquisa em Dança, realizado pela Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA), com o objetivo de propor um diálogo entre alunos e professores da área de dança sobre as diferentes óticas dessa linguagem artística. O evento acontece até o dia 18 de novembro, no espaço da ETDUFPA. As inscrições são gratuitas.

  • Até o dia 28 de novembro estará aberta à visitação para a exposição "Trilhas da Dança", no espaço do Instituto de Artes do Pará (IAP). A exposição reúne imagens de ensaios e espetáculos de diversas companhias de dança que fizeram parte do movimento artístico no Pará. A entrada é franca.
  • Mestre em Dança pelo Laban Centre for Movement and Dance (Londres) e Doutora em Educação pela USP, a coreógrafa paulista Isabel Marques ministra no IAP a oficina Aperfeiçoamento na Linguagem da Dança - Princípios Rudolf Laban – II Módulo, entre os dias 17 e 21 de novembro, de 15h às 18h.
  • Amanhã inicia a segunda temporada da peça teatral “Querela-Eu”. O espetáculo é resultado de um ciclo de atividades de treinamento cênico realizado por integrantes do Grupo de Investigação do Treinamento Psico-físico de Atuante (GITA), ligado à Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (ETDUFPA), que busca em seus trabalhos a troca de impressões dramáticas com o público baseadas no treinamento.
    O texto é uma adaptação da obra “Querelle de Brest”, escrita em 1947 pelo escritor francês Jean Genet.
    A peça será apresentada nos dias 18 e 25 de novembro, e 02 e 09 de dezembro, sempre às 20h, no espaço do Cuíra, com direção geral de Cesário Augusto.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Como tudo começou...

"O corpo está em cena, sem que haja qualquer possibilidade
de predizer o futuro e seus limites" (Villaça e Góes, 1998)


A leitura das atitudes expressadas no comportamento dos indivíduos foi o primeiro sistema de comunicação usado pelo ser humano, muito antes do desenvolvimento da linguagem oral.

Em termos evolucionários, a fala só passou a fazer parte do nosso repertório de comunicação após muitos anos, sendo utilizada fundamentalmente para transmitir fatos.

Estima-se que a habilidade de falar tenha se desenvolvido há cerca de 2,5 milhões de anos, tempo durante o qual nosso cérebro triplicou de tamanho. Antes disso, a linguagem corporal e os sons primitivos produzidos pelo homem eram as principais formas de transmissão de emoções e sentimentos humanos.

Entre as várias espécies que sofreram evolução, o surgimento do Homo sapiens tornou-se a mais bem desenvolvida fisicamente para a produção da fala. Este desenvolvimento também se deve um pouco a intersecção entre culturas de diversas civilizações primitivas. Por esse motivo, que a cultura foi um importante agente da evolução humana.

Hoje, no entanto, é atribuída uma maior atenção a questão da importância da linguagem corporal por muitos autores, não só para o entendimento das ações expressadas pelos indivíduos, mas também para compreender o processo de comunicação estabelecido pelo corpo.